ESB x Brown Ale no 3° duelo FanBeer

Esta semana, nosso duelo será entre dois estilos tradicionais da escola Inglesa, que na realidade compreende estilos criados na Inglaterra, Irlanda e Escócia.

ESB (Extra Special Bitter): Esta é uma ale cuja coloração varia do dourado ao cobre profundo. Sempre muito límpida e brilhante, geralmente preparada com uma variedade de lúpulos ingleses que costumam trazer aromas terrosos,  resinosos ou florais. Traz também aromas de malte de médio a médio-alto, com notas de caramelo que variam de baixas a moderadamente fortes exceto nas versões mais claras, onde esse atributo aparece de forma mais sutil. Pode também ter a presença de ésteres frutados de médio-baixa a médio-alta. O amargor desse estilo varia de médio a médio-alto, sendo que deve estar sempre muito bem equilibrado pelas notas mais adocicadas advindas dos maltes. Ainda podemos nos deparar com baixos níveis de álcool e um moderado sabor mineral/sulfuroso. “Atualmente na Inglaterra o termo “ESB” é uma denominação pertencente à Fullers; nos Estados Unidos o nome foi escolhido para designar uma ale inglesa maltosa, amarga, avermelhada, de força padrão.”  Sua força alcoólica varia entre 4,6 – 6,2%.

English Brown Ale: Mais uma inglesa tradicionalíssima,  geralmente se apresenta numa paleta de cores que pode ir do âmbar médio até o castanho escuro, passando pelo cobre, e visualmente  quase sempre límpida, embora tradicionalmente não filtrada, bem como com colarinho de baixo a moderado, de cor branca a bege, mas com pouca estabilidade devido à baixa carbonatação, que é consequência direta da utilização da água dura (com mais sais minerais) das terras britânicas. Nos aromas, percebem-se os provenientes dos maltes, também numa grande gama, podendo incluir caramelo, de grãos, tostado, como nozes, chocolate ou um leve tostado, e quase sem aromas perceptíveis de lúpulos. No sabor, temos uma cerveja maltosa, mas que pode vir com uma vasta paleta de sabores derivados do malte e da levedura, como por exemplo, maltoso, doce, caramelo, toffee, tostados, nozes, chocolate, café e até vinho, fruta, alcaçuz, melaço, ameixa e uva-passa. Pode ter final doce ou seco. Amargor de baixo a moderado, suficiente para prover algum equilíbrio, mas não para sobrepor o malte.  Podemos dizer que é uma cerveja suave, leve e refrescante, de corpo de leve a médio e com carbonatação geralmente de baixa a médio-baixa. Acredita-se que este estilo pode ter evoluído a partir das das Porters primitivas.
Sua gradação alcoólica varia de 2,8 a 4,5% ABV. (Fonte: Diretrizes de Estilo BJCP)

Muito bem, agora é com vocês. Vá até nossa página no Facebook (https://www.facebook.com/BeerCards) e dê seu voto para o estilo que mais lhe agrada.
Não se esqueça que a FanBeer é sua! Quem define a cerveja que será produzida é você.
Saúde e até a semana que vem com o 4° desafio.

Luiz Caropreso

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IPA x München – esse é o segundo duelo FanBeer

English India Pale Ale: A sigla “IPA” significa “India Pale Ale” > Esse estilo surge no século XVIII, partindo de uma necessidade muito específica: suprir de cerveja a colônia militar inglesa fixada na Índia. Na época, a pale ale “comum” não suportava o forte calor e o tempo de uma viagem marítima à Índia, estragando durante o percurso. Havia a necessidade de se desenvolver uma cerveja que pudesse ser mais resistente. É sabido que álcool e, principalmente lúpulo são substâncias com propriedades conservantes. George Hodgson, comerciante da Companhia Britânica das Índias Orientais, decide alterar a receita de sua “cerveja de outubro”, um produto sazonal que já exportava para a Índia. Essa “nova” cerveja de Hodgson se diferenciava da costumeira pale ale por ser mais alcoólica, mais maltada e bem mais lupulada. E assim surge a primeira Índia Pale Ale, que chamamos carinhosamente de IPA, uma cerveja de coloração que vai do dourado pálido ao cobre profundo. Apresenta aromas florais de lúpulo de média a alta intensidade e sabor de lúpulo de médio a forte (além do amargor dado por este ingrediente). É medianamente encorpada, com presença modesta de malte. Sabores e aromas frutados vão de moderados a muito fortes. O álcool por volume varia de 5% a 7%. (Fonte: Guia de Estilos da Brewers Association)

Münchner (Munich)-Estilo Helles: A Munchen é uma cerveja originária da cidade de Munique. Deve passar a percepção de baixo amargor. Tem corpo médio e quem impera nesse estilo são os maltes. cujos atributos aparecem em equilíbrio com os compostos produzidos pelas leveduras. Algumas versões buscam um nível perceptível de sabores e características de lúpulo (nota: sabor de lúpulo não implica em amargor), mas estes são essencialmente equilibrados com os atributos de malte que mantêm a identidade do estilo. As características de malte às vezes trazem notas de pão, mas sempre lembram cevada maltada levemente tostada e fresca. Não traz nenhum toque de caramelo. A cor varia de palha clara a dourada. Álcool por volume entre 4.5 e 5.5%. (Fonte: Guia de Estilos da Brewers Association)

E então, vamos votar?

Acesse nossa página no FaceBook (https://www.facebook.com/BeerCards) e dê seu voto. Não se esqueça que você é o criador, através de seu voto da “FaceBeer”!

Saúde a todos e até o próximo duelo.

Luiz Caropreso

 

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Pilsen x Weiss. O primeiro duelo da FanBeer

Como anunciamos da semana passada, nós da BeerCards lançamos o projeto FanBeer: a primeira cerveja construída por nossos seguidores do Facebook.

E o primeiro duelo já podemos dizer que é uma briga de titãs: Pilsen x Weiss.

O estilo Pinsen, ou Pilsener, nasceu na cidade de Pils, região da Boêmia, na atual República Tcheca. Em 1839 Václav Mirwald, dono da “U Zlatého Orla”, um pub situado na praça principal da cidade de Pilsen, resolve arregimentar os cidadãos com permissão para fabricar cerveja, a fim de abrir uma cervejaria moderna (atual Pilsner Urquell) para fabricação de cervejas de baixa fermentação (lagers). Em 1842 nasce a cerveja estilo Pilsener pelas mãos do mestre cervejeiro bávaro Josef Groll. Hoje, a original Bohemian Pilsener se replica em vários estilos como German Pilsener, American Lager, Intarnational Pilsener entre outras. A Pilsen é uma cerveja de baixa fermentação, clara de cor dourada, com uma boa carbonatação, produzindo uma ótima formação de espuma. Possui aroma floral (lúpulo) com notas de malte. Apresenta um final amargo bem definido e equilibrado com um suave dulçor do malte. É o estilo mais consumido no mundo.

Já a Weiss, também conhecida como Weissen, Weiz ou Weizen, é a cerveja alemã que possui trigo na receita (pelo menos ) Uma cerveja de alta fermentação que apresenta quase sempre aromas que remetem a banana e cravo e onde os lúpulos, apesar de presentes,  são quase sempre muito sutis. Sua coloração varia de amarelo palha a dourado escuro. No copo, foram um colarinho denso, parecendo uma mousse, e de cor bem branca, sendo que se apresenta quase sempre turva, devido ao elevado teor de proteínas do trigo. Seu paladar é bem equilibrado, saboroso, com o final relativamente seco. e de corpo de médio-leve a leve. Tem também uma textura cremosa, provocada pelo trigo. Uma ale clara à base de trigo, condimentada, frutada e refrescante. Esse estilo tem origem no sul da Alemanha e é uma cerveja extremamente refrescante, criada para os dias de verão.

E então, vamos participar desse duelo? Acesse nossa página no FaceBook (https://www.facebook.com/BeerCards) e dê seu voto. Quem sabe não será sua a receita dessa “FaceBeer”!

Saúde a todos e até o próximo duelo.

Luiz Caropreso

 

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BeerCards FanBeer: uma cerveja feita por vocês.

Com a finalidade de agradecer aos nossos 10.000 fãs no FaceBook, a BeerCards lança um projeto inédito: a BeerCards FanBeer.
A partir de algumas enquetes, vocês nossos leitores, (fãs de nossa página no FaceBook) irão definir a receita da cerveja que a BeerCards vai produzir, em parceria com a Dama Bier, a já tradicional cervejaria de Piracicaba.
A primeira enquete definirá o estilo. A partir daí, os participantes definirão as características dessa cerveja, sendo: Amargor, frutado, teor alcoólico e finalmente o rótulo.

Vocês poderão interagir na construção dessa receita através de duelos que promoveremos na nossa página no Facebook e acompanhar o calendário pelos posts que iremos publicar aqui neste blog.  Quem participa dos duelos concorre a prêmios muito bacanas.

Acesse nossa página do FaceBook para conhecer melhores detalhes

O primeiro grande duelo acontecerá no dia 06 de maio e será entre os dois estilos mais populares da escola alemã. Quem vencerá, a Pilsen ou a Weiss?
Quem participar dessa enquete estará concorrendo a um deck BeerCards.
BeerCards FanBeer deverá ser lançada no BeerCards Fest 2013, que acontecerá entre agosto e setembro na cidade de Campinas.

Imagine que fantástico: Você participa na definição da cerveja e ainda ganha prêmios!
Não deixe de participar.

Abraço

Luiz Caropreso

 

 

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Tree Shaker Imperial Peach IPA da Odell Brewing. Uma cerveja que vale conhecer.

Fiquei muito feliz ao ver o mais recente lançamento da Odell na loja de bebidas na semana passada, em garrafa de 750 ml. Era um dia bem quente de primavera, ao contrário do clima que vínhamos tendo nas últimas 24 horas, em que tivemos dias com muita neve, como não havia acontecido durante o ano até agora em Colorado Springs. As promessas cítricas e pêssego desta IPA foram meu principal estímulo. Felizmente, a cerveja também é de 9,7%, o que é certamente álcool suficiente para nos dar essa sensação de calor em uma noite fria. Assim, enquanto a mãe-natureza tenta combater inverno, Odell lançou uma cerveja que te faz sentir-se bem, tanto para um clima  congelante quanto para um dia de temperaturas mais amenas, que a gente possa encarar vestindo uma simples camiseta.

A cerveja é super entusiasmante. Os aromas são muito cítricos, com notas de manga, abacaxi e outras frutas tropicais. O sabor é bem marcante, com um dulçor pronunciado, sem apresentar, necessariamente, complexidades nos aromas de malte, mas sem ser enjoativa também. Há muitos sabores cítricos nesta cerveja, protagonizados por abacaxi, quase como um suco de frutas. Meu desafio favorito foi a busca pelo sabor pêssego, que se propaga a partir do fundo, para a superfície da taça e, em seguida, desaparece muito calmamente. É muito boa. Há algum amargor presente, considerando que é uma Imperial IPA, mas este realmente fica em segundo plano frente os sabores mais complexos de frutas. Nesta cerveja os sabores e aromas de lúpulo servem como escora para a sutileza do pêssego.

Fonte: http://www.focusonthebeer.com

Obs.: O Rate Beer enquadra esta cerveja dentro do estilo estilo Fruit Beer

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Os caminhos da cerveja brasileira

Muita gente tem falado em Escola Cervejeira brasileira. Na realidade, não podemos classificar o Brasil como uma Escola Cervejeira. Ainda não, mas estamos nesse caminho. É inquestionável a evolução do segmento cervejeiro em nosso país, seja por essa verdadeira ebulição, que eu chego a pensar ser uma vocação, protagonizada pela extrema inventividade, arrojo e competência das pequenas cervejarias e home brewers, na criação de novos rótulos que vivem ganhando medalhas em vários campeonatos internacionais, bem como pela consolidação do “negócio cerveja” no Brasil, que é algo reconhecido internacionalmente. Não é a toa que o principal executivo do  do maior grupo cervejeiro do mundo, a AB InBev, é o brasileiro Carlos Brito:

Nos últimos anos, temos visto o surgimento de várias e várias marcas de novas cervejas em nosso país. Mas não é apenas uma grande profusão de rótulos. Estamos vivenciando a criação de cervejas extremamente boas e muito bem feitas. Vale citar os pioneiros das cervejas especiais no Brasil como a primeira delas, quando em 1995 Marcelo Carneiro funda a Colorado em Ribeirão Preto. Depois dela vieram, em 1998 a mineira Falke, que então se chamava Cirvizia Aquila, em 1999 a Baden Baden, em Campos do Jordão, em 2001 a Devassa (antes da fase bem loira obviamente) no Rio de Janeiro, em 2002 a Eisenbahn em Blumenau, Santa Catarina, e em 2005 a Bamberg em Votorantim – SP. Esses verdadeiros desbravadores abriram caminho para essa cervejarias  que vêm despontando no cenário cervejeiro como Wäls e BodeBrown, vencedoras respectivamente do Festival Brasileiro da Cerveja em Blumenau, nas edições de 2012 e 2013.

 

Não vou poder ficar falando de uma a uma mas temos várias e várias cervejarias nacionais se destacando como a Way, a Invicta e a Amazon que inova com suas receitas que incluem ingredientes provenientes da Floresta Amazônica. Temos um caminho, a meu ver, parecido com o da escola dos Estados Unidos. Lá, eles competentemente, começaram trabalhando, ou melhor re-trabalhando estilos das escolas do velho mundo, potencializando amargor. álcool, etc e criando novos estilos que hoje são usados como base ou até mesmo copiados por cervejeiros do mundo todo. No meu entender, o caminho para que o Brasil se consolide como uma nova escola cervejeira é exatamente esse: a criação de estilos reconhecidamente “brazucas” e que comecem a ser replicados por outros mestres cervejeiros internacionalmente.

Em relação ao business, creio que é inquestionável que já somos reconhecidos mundialmente por nossa competência na área. Só nos resta levantar uma taça, com uma cerveja bem brasileira, e brindar para comemorar o futuro desse segmento econômico. Ou como eu gosto de dizer, “bebemorar”. Mas com muita responsabilidade.

Abração e até a semana

Luiz Caropreso

 

 

 

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Papa Francisco e as cervejas

Tem circulado pela internet uma falsa notícia de que o Papa Francisco estaria proibindo as comunidades monásticas, mais especificamente monastérios trapistas e beneditinos em geral, de “produzir” cervejas. Isso não é verdade. O Papa fez uma declaração onde enfatiza que a produção de cervejas, bem como outros produtos feitos nos monastérios como queijos, pães, geleias, sabonetes, licores etc, mantivessem seu escopo principal, que seja, produtos cujo objetivo é servir para angariar recursos destinados à manutenção do monastério.

Cabe aqui resgatar o propósito da manufatura de produtos nessas ordens religiosas. Os monges seguem algumas regras severas como o voto do silêncio, clausura e castidade. Obedecem também o fundamento “ora et labora”, ou seja, orar e trabalhar. Um dos trabalhos desses servos de Deus é justamente a manufatura de produtos que sirvam para a subsistência de seu mosteiro, dentre eles as cervejas. Sabemos que o universo cervejeiro deve muito a esses religiosos. Não fossem os monges, provavelmente as ales não teriam evoluído, ou até mesmo subsistido, quando as lagers começaram a se proliferar pela Europa, principalmente após 1842 com a criação das Pilseners – pelas mãos do mestre cervejeiro Josef Groll, o criador da Pilsner Urqüell - hoje o estilo mais produzido e fabricado no mundo.

Voltando ao pronunciamento do Sumo Pontífice, que diga-se de passagem tem enorme semelhança ao frade que ilustra os rótulos da Franziskaner, como vocês poderão ver logo abaixo, em minha interpretação, não passa de um alerta para que se preservem os princípios que sempre balizaram a produção de quaisquer produtos dentro dos monastérios.

Papa é semelhante a personagem do rótulo da cerveja alemã Franziskaner

Não há. portanto, o que temer, pelo menos não de imediato, quanto à produção das maravilhosas cervejas de abadia, principalmente as Trapistas. Só espero que os “atravessadores” não venham se aproveitar da declaração papal para inflacionar os preços das, já não muito acessíveis, pelo menos não por aqui na terra brasilis, cervejas originárias desses monastérios.

Até a semana

Luiz Caropreso

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Um pouco mais sobre as Lambic

Há pouco tempo falei sobre estas cervejas e hoje me deparei com um post um pouco mais detalhado sobre o assunto que reproduzo aqui para quem quer mais detalhes de 3 cervejas emblemáticas da família Lambic. Me dei apenas a liberdade de retirar nos créditos das cervejas a nota de avaliação.

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Localizada em Vlezenbeek, cidadezinha nos arredores da capital Bruxelas, na Bélgica, a Brouwerij Lindemans produz, desde 1811, o mais antigo estilo de cerveja do mundo: Lambic. Ao contrario das cervejas (ales e lagers) convencionais, que seguem um cuidadoso processo de fermentação que exclui bactérias e leveduras selvagens, as Lambics necessitam de fermentação espontânea. Ou seja, a cerveja é exposta em tachos para sofrer a ação de leveduras selvagens e de bactérias que ficam no ar do Vale do Senne, nos arredores de Bruxelas. Apenas nessa região, conhecida como Pajottenland, se produz cervejas do tipo lambic.

O processo é simples: após a fermentação, em que o mosto sofre a ação das leveduras selvagens e bactérias e a inclusão de lúpulo velho (os fabricantes de lambic não desejam o amargor do lúpulo, mas sim suas propriedades conservantes), a cerveja é disposta em antigos e enormes tonéis de vinho do Porto e Jerez (de 11 mil litros) onde descansa de quatro meses até anos. O resultado (diferente de tonel para tonel) gera a Lambic pura, que, quando jovem, mantém uma acidez intensa que remete a sidra, e, quando envelhecida, se torna mais suave, com sabores frutados intensos – sem nenhuma adição de frutas, apenas com o trabalho das leveduras.

O ato de misturar uma lambic de safra nova, ou seja, ácida e exuberante, com uma lambic envelhecida, suave e intensa, cria a Gueuze – encontro de uma cerveja em fermentação (a nova) com uma já maturada (a envelhecida). A Gueuze é bastante carbonatada e remete a champagne. Sua acidez é intensa, mas há uma vigorosa doçura frutada. Uma Gueuze pode surgir do cruzamento de vários barris diferentes de produtores diferentes resultando, sempre, em uma cerveja única e particular. A adição de frutas (geralmente framboesa, cereja e pêssego) no momento da refermentação transforma a Lambic numa Lambic Framboise, Kriek ou Fruit, gerando assim uma terceira subcategoria – tão especial quanto as outras.

A Lindemans Gueuze funciona como uma perfeita introdução do apaixonado por cerveja no território das Lambics. Não é tão azeda e ácida quanto uma Lambic tradicional (por ser uma Gueze) e nem tão intensa quanto a Lindemans Gueuze Cuvée René, mas mostra seu charme já no aroma azedo e avinagrado, que traz uma leve doçura frutada, que remete a pêssego e maçã verde, vinho prosecco e champagne. O paladar é surpreendido no primeiro toque, azedo e intenso, mas assim que se acostuma surge a percepção de uvas e maçãs verdes ao lado do vinagre e um salgado intrigante numa cerveja áspera, licorosa e envolvente. É deliciosa.

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A Lindemans Faro Lambic é praticamente a Lindemans Gueuze acrescida de açúcar. Ou seja, uma Lambic jovem, “ácida e exuberante” (nas palavras de Garrett Oliver) misturada com uma Lambic maturada, “suave e intensa”, com a acidez e o azedo marcando presença. Não aqui. O açúcar presente na fórmula contrabalanceia a perfeição o azedo e o ácido e faz da Faro quase uma Cidra, mas uma Cidra saborosa e de qualidade. O aroma é perfumado com reminiscências de frutas vermelhas, uvas, licor, pera, maçã, malte e acidez bem suave. O paladar é tudo isso e mais um pouco num conjunto suave, adocicado e levemente azedo. Cuidado: pode viciar.

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O maior sucesso da cervejaria belga é a Lindemans Framboise. Basta retirar a rolha da garrafa para entender o porquê da paixão: aromas intensos de framboesa (que são inseridas na fórmula como suco) tomam conta do ambiente antes mesmo de derramar a cerveja no copo. O liquido é de um vermelho intenso e brilhante com um belo colarinho rosa. Apesar da força da framboesa no aroma, a acidez marca presença de forma moderada antecipando o paladar. São apenas 2,5% de álcool, mas não brinque com uma lambic, mesmo com uma de framboesa: aqui, doçura e acidez estão perfeitamente combinadas em uma cerveja altamente refrescante.

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Além destes três rótulos acima, também já estão disponíveis no Brasil outros dois: a Lindemans Pecheresse (com Pêssego) e a Lindemans Kriek Cuvée René (a versão especial da Kriek de Framboesa). O cardápio todo da cervejaria ainda traz outras surpresas como cervejas com maçã e cassis. Seu processo cuidado e demorado reflete-se no preço final: as cervejas nas versões em garrafas 375 ml podem ser encontradas entre R$ 25 e R$ 35 enquanto as garrafas de 750 ml chegam aos R$ 50. Para ocasiões especiais, valem muito a pena. Na verdade, para qualquer ocasião. Se você estiver em Bruxelas, procure bares que sirvam Lambic tradicional. Caso a acidez esteja intensa, há açúcar na mesa. Ele está ali para adoçar a cerveja.

Faro Lindemans
- Produto: Lambic
- Nacionalidade: Bélgica
- Graduação alcoólica: 4,5%

Gueuze Lindemans
- Produto: Lambic Gueuze
- Nacionalidade: Escócia
- Graduação alcoólica: 4,2%

Kriek Lindemans
- Produto: Lambic Kriek
- Nacionalidade: Bélgica
- Graduação alcoólica: 2,5%

Fonte: http://screamyell.com.br/blog

Abraços e até a semana.
Luiz Caropreso

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Cervejas brasileiras poderão conter frutas, leite e mel sem restrições

Ministério da Agricultura extinguirá proibição de produtos de origem animal na bebida. Importadas já chegam ao país com os mesmos ingredientes.

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A ingestão moderada de cerveja é comparada ao consumo de água no processo de hidratação

As cervejarias brasileiras vão poder usar sem restrições produtos de origem animal – como mel e leite – e frutas em suas bebidas, possivelmente ainda no primeiro semestre. Esta é uma das alterações que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) fará no decreto 6.871/2009, que regulamenta a produção de cerveja no país, a partir de uma consulta pública que deverá ser aberta ainda este mês.

— O Brasil já importa cervejas que contêm estes ingredientes, mas existe o impedimento à produção local. Este foi um consenso na reunião. Temos um mercado imenso e estamos cerceando os nossos produtores — afirmou o diretor substituto do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal do Mapa, Álvaro Viana.
Antes de elaborar o texto para consulta, o Mapa convidou representantes do setor para uma reunião de dois dias em Brasília, que começou nesta terça-feira e terminou hoje. A consulta deverá ficar aberta por 60 dias para que o projeto receba sugestões do público em geral. Finalizado, o documento será submetido para análise do departamento jurídico do ministério e encaminhado ao Gabinete da Casa Civil da Presidência da República.

— Abrimos o diálogo com o setor, não só com as grandes indústrias, mas também com os produtores artesanais e caseiros, para buscar eliminar os anacronismos na lei.

No caso das frutas, a legislação até prevê a adição de suco, essência natural, extrato de vegetal, mas exigindo a denominação “cerveja com (nome do vegetal)”. Mas a vedação aos produtos de origem animal impede a produção nacional de cervejas com chocolate (que normalmente possuem leite na composição) e das chamadas “milk stout”, adoçadas pela lactose, e de mel (como a “Honey Ale” produzida na Casa Branca pela equipe do presidente Barack Obama).

Indústria poderá ter que declarar uso de corante em cervejas escuras

O Mapa discutirá ainda o texto em uma câmara técnica de representantes dos ministérios de agricultura dos países do Mercosul, Comissão de Alimentos do Subgrupo de Trabalho nº 3. O bloco possui um regulamento conjunto sobre a produção de cervejas, que é adotado pelo Brasil, por meio da Instrução Normativa 54/2001 do Mapa.

Após analisar o texto, a Casa Civil consultará outros órgãos envolvidos na regulação da atividade cervejeira, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Receita Federal, e enviará o resultado para sanção da presidente Dilma Rousseff.

A declaração do uso do corante caramelo – que dá a cor a muitas cervejas industrializadas – poderá passar a ser exigido no rótulo, o que atualmente não é obrigatório.

Também começou a ser discutida a produção de cervejas sem lúpulo, ingrediente que é atualmente obrigatório na composição do produto. A planta, que fornece amargor e ajuda a conservar a bebida, é amplamente usada há cerca de mil anos, mas ainda existem antigas receitas alemãs de cervejas que utilizam uma mistura de ervas conhecida como “gruit”, que também não podiam ser produzidas no país.

— Em relação a todas estas questões, houve posições bastante distintas, que terão de ser consolidadas pelo ministério. Seria prematuro afirmar qualquer coisa no momento.

O CervBrasil, associação que reúne as quatro principais cervejarias do país (Ambev, Heineken, Kirin Brasil e Petrópolis), informou que “as conversas com Brasília terão continuidade e, por isso, prefere não se manifestar antecipadamente a qualquer resolução”.

Também presente à reunião, Marco Falcone, dono da Cervejaria Falke, de Minas Gerais, elogiou a disposição do ministério para ouvir os pequenos produtores na discussão das alterações.

— Eles estão abertos para normatizar no país, aquilo que já é feito em todos os outros lugares do mundo. É um alinhamento que nunca tinha ocorrido no Brasil .

Fonte: O Globo

 

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A acidez – esse azedinho delicioso

Cervejas mais ácidas, são sem dúvida impactantes. Para quase todo o iniciante no mundo das cervejas especiais é prudente passar pelas mais tranquilas até chegar nas mais ácidas e complexas. Vale a pena fazer esse caminho. Comece pela escola Alemanha, República Tcheca e Áustria. Em seguida vá para Inglaterra, Irlanda e Escócia. Depois disso, para Bélgica e França e, só depois de degustar as Belgian Pale Ale, Strong Golden e Strong Dark Ale, Dubbel, Tripel e Quadrupel, aí sim, vá para as Geuze, as Oud Bruin Sour Ale e outras nessa linha

Eu sou um apaixonado por essas cervejas. Aliás, isso vindo de mim é algo muito suspeito porque, na realidade, eu sou apaixonado é por cervejas, de todos os estilos e sub-estilos. Só tenho uma exigência. Que seja uma cerveja sem defeitos. Pode ser uma Cantillon belga, proveniente desses tanques de fermentação espontânea, que devem causar estranheza a alguns de vocês:

At the Cantillon brewery in Brussels, hot wort is pumped into a large, shallow copper vessel called a tun where the wort will cool, and wild yeasts native to Brussels' Senne Valley will settle onto the exposed liquid.

Ou uma lager brasileiríssima, dessas marcas mais populares que harmonizam maravilhosamente bem com verão, samba, carnaval, amigos felizes, churrasquinho, camarão frito ou uma bela porção de torresminho. Você acha que um Sommelier de Cervejas só degusta cervejas mais complexas? Não mesmo meu amigo.

Mas vamos voltar às cervejas mais ácidas. Mesmo que você ainda não tenha trilhado a sequência que eu descrevi no início deste post mas se considera um aventureiro, vou sugerir 3 rótulos que são fáceis de se encontrar e trazem uma excelente relação de custo x benefício:
Geuze Mariage Parfait

As Geuze, como todas as lambics, são cervejas elaboradas por fermentação espontânea, em tanques abertos como na foto acima,  onde a grande protagonista dentre os gostos básicos é a acidez. Traz notas de couro e de animal, proveniente da Brettanomyces Bruxellensis, uma levedura presente na microflora de Bruxelas. Para chegar  no resultado final, essas cervejas são elaboradas através da mistura de outras geuze, mais envelhecidas e só apos 3 anos de maturação são engarrafadas, passando ainda por uma segunda fermentação na garrafa. Experimente com queijos mais salgados, como um gorgonzola, com frutos do mar, eu ceviche.

Rodenbach Grand Cru:

Eu tomaria uma taça dessas, todos os dias no meu café da manhã. Essa delícia do estilo Oud Bruin talvez seja a cerveja que mais se aproxima de um vinho tinto. Notas de frutas pretas e vermelhas, nozes, além de um cítrico marcante, com acidez acima da média – que vai se intensificando com o passar dos anos, conforme a cerveja amadurece. Alta drinkability e extremamente refrescante.

Duchesse de Bourgogne:

Uma cerveja bem complexa, com um frutado que lembra cerejas e um final amadeirado lembrando carvalho. Mais um exemplar com acidez marcante, elaborada com maltes tostados que lhe emprestam notas aromáticas, além da cor de um castanho com feixes vermelhos. Essa cerveja passa por três fermentações sendo que na última, fica maturando por 18 meses em barris de carvalho, após o que é misturada a uma cerveja mais jovem, de 8 meses. O resultado, você deve conferir, degustando uma Duchesse bem devagarinho, acompanhada de uma tábua de queijos.

Espero que experimentem e comentem.

Até a semana que vem.

Luiz Caropreso
Sommelier de Cervejas

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